sábado, 30 de outubro de 2010

SEIS PEDAÇOS

Da cadeia




I


Arcabouço





Os túneis das indiferenças percorrem

a vastidão





                                                                                                                             do simples existir



Reduz aos arcabouços, a vastidão e



a simplificam









Como o velho Juca, garimpeiro,



e a sua terra

                                                                                                                               arreganhada





Ele simplificaria a vida num lote de pedras comercializadas



Num lote de palavras assimiladas pelo peso e

                                                                                                                              colorido





Daí saem arcabouços simétricos para romper paredes





em novos e gigantescos túneis e novas e arregaçadas catas.






II




Amigo, não ironize os poetas.

Apesar de tudo,

eles existem.



Poesia é um pão misterioso

que explode-real nas horas precisas.



São palavras disformes

(antes, provavelmente, harmoniosas)



Sempre



ajuntamentos de belezas.



Veja,



quando for possível

descubra a beleza nas palavras.



Em tuas horas, nada acontecerá

a não ser aquilo que queres

e vida poesia será

será um verso





Ora, direis, rugir bosques!



Será um lamento.

Prêmio ao silêncio.



III





Um relato sem marcas











Um pátio pequeno

De muros altos



No centro,

um tabuleiro de xadrez.



Não é hoje o dia do jogo,

as peças caem aqui e ali,

amontoadas num canto só,



pretas e brancas









IV







Para Você





Viva o alfabeto!



Viva o bobo!



Viva o mentiroso!



Viva o tolo!



Viva a ignorância!



Viva o belo!



Viva eu!



Viva você!



Viva o tal!



Viva o qual!



Viva o sal!



E o saleiro também!





Sabe quem grita estes vivas para você?



Viva!







(Uma brincadeira de presos em celas individuais, sem comunicação e proibidos de conversarem)



V



Pensei que fosse possível

afastar-me da identidade



Compreendem?



Mudar o papel, mexer nas aparências

Realizar um distanciamento cênico comigo mesmo

Tentar, tentei, ainda tento, visualizo um objetivo

Intrigante, sem nexo imediato.



Instintivo, recuo




Armazeno recursos, sem condições de dizer

Nem de ser preciso.



- Os recursos são esses.



Apenas sei que exigem controle.





VI






Em memória


das horas difíceis,


folheio o dicionário


na pista da palavra


que seja verdade


que exprima


as horas difíceis


que fotografe


o gesto presente.






Naqueles momentos,


folheio o dicionário






e outro dicionário






ainda na perseguição


da palavra


que eu sei desumana


que eu sei ser totalmente ódio


que eu sei possuir nas linhas


de suas vogais o acento trágico.










Folheio o dicionário,


em memória


das horas difíceis.







domingo, 24 de outubro de 2010

BASTA LER

Dante, Virgílio

& Horácio










A poesia me salva,


ela combate meu estresse.






Ela alivia minhas dores,


ela me faz pensar


mais profundo


e ritmado






Não me deixa esquecer


o amor que acabou






(Todos devem esquecer


o amor que já acabou)






A poesia é meu remédio


minhas dores


Ela é minha salvação


quando me perco no claro


quando me acho no escuro


Ela se desenvolve


sem pedir


sem exigir


Vem quando calado


falo ao meu coração


dos meus medos


das minhas coragens


Da violência em que me perco


das flores que distribuo






Surpreende-me rigorosa


exigindo medida


impondo sons


trocando palavras


exigindo rigor






Outras vezes, deslavada


é a mais doce das putas






Outras vezes dengosa


espraia-se em todo o corpo


Perdida, doida, fugaz






Outras vezes,


como uma santa,


imita Cecília






Confunde meus olhos


meus ouvidos






Como um orvalho que cai em agosto


ela diz poemas e sonhos


transformando um ser estupefacto


pela embriaguês da compreensão.






Delirante,


ela é tudo para mim


desde o desembarque


na cela da Marechal Âncora


em versos difíceis,


eruditos, instigantes






Era só poesia


Um momento de crescer


amar e viver.






De sempre


sobreviver.









......
 
 

FLAGRANTE DE 2010

Ocidente,

culto, civilizado e cristão

Dizemos que somos civilizados, que construímos uma civilização.
A civilização ocidental. No dicionário,  a palavra significa:
1 Estado de adiantamento e cultura social.
2 Ato de civilizar. 3 Acumulação e aumento de habilidades manuais
e de conhecimentos intelectuais e a aplicação deles.


(foto e legenda do http://subvivente.blogspot.com/)





Para Herberto Drumon, em Dresden, Alemanha








São chamados de andarilhos.

Os andarilhos parados

que sequer percorrem

pra lá e pra cá

a pista de caminhadas



São meninos, meninas,

rapazes e moças



São ditos da rua

Da rua que seria deles

Não é deles a rua



O lixeiro fica furioso

Ele limpa, eles sujam

O lixeiro quer limpá-los



Corações chegam muito cedo

muito tarde com café e pão

marmitas quentes de muito arroz,

feijão e carne

Assassinos também

Dez, vinte, cinquenta

crianças dormindo no chão

na calçada, na rua, no canto do muro

embolados, sozinhos, desmaiados, sem nada



Os assassinos chegam

O carro atravessa aquela pequena multidão

de pequenos

maltrapilhos, sujos, roupas imundas



(que eles lavam todos os dias com a

água barrenta do Arrudas - rio que é esgoto)



Os assassinos chegam

São quatro



Os assassinos chegam de carro

Passam por todos, roda na pista

faz e curva e volta

e chegam os assassinos



Dois estão com suas armas nas mãos

Armas pesadas, carregadas, cheirosas



Os assassinos são homens limpos, cheirosos



Eles não aceitam a sujeira



Não aceitam a imundície



Os assassinos são como os lixeiros



No céu, o azul

iluminado pela lua, luar, lua grande

última lua cheia do ano

calor de verão,

um dos meninos abre as pernas

e coça o saco



Depois, abre os olhos

Por ele, acordaria dando um pulo

Só pula na cabeça, na idéia,

mal consegue abrir os olhos



Ouviu os tiros, assustou-se

quis pular, pular como



Tinha 14 anos

seu corpo drogado não obedece

É lerdo, lento e pesado



Agora, com o chumbo está mais pesado



Correr? Impossível, Calanguinho



Rastejar? Impossível, Calanguinho



Calanguinho morreu, duas balas de chumbo no peito



Este lugar, ocidental e cristão

um imenso campo de extermínio

e eu vivo neste lugar civilizado

e eu sou um cidadão



Conheci Calanguinho magrelo, secão, sujo,

sorriso aberto, moleque, sangue bom.



- Sangue bom?













........

domingo, 17 de outubro de 2010

LULA

O amigo do Acre
Elson Martins no http://www.almanacre.com/ 




Coluna publicada no
Jornal Página 20
17out2010


Em dezembro de 1988, Chico Mendes foi assassinado em Xapuri





Ainda como líder metalúrgico na região do ABC paulista, em fins dos anos 70, Luís Inácio Lula da Silva começou sua amizade com o Acre. De lá para cá, nunca deixou de participar dos acontecimentos sindicais e políticos que marcaram mudanças fundamentais na vida dos acreanos. Ele já fez 15 visitas ao estado como sindicalista, deputado federal e como Presidente da República.



Em julho de 1980 participou em Brasiléia, na fronteira com a Bolívia, de um ato de protesto pelo assassinato do presidente do sindicato dos Trabalhadores Rurais Wilson Pinheiro, de tocaia, dia 21, a mando de fazendeiros. Ao discursar de um palanque improvisado na carroceria de um caminhão, Lula declarou:

“Está na hora da onça beber água”!



O recado foi entendido pelos companheiros de Wilson que, ao retornarem para suas colocações de seringa toparam no caminho com o capataz da Fazenda Nova Promissão, Nilo Sérgio, principal suspeito do crime, e meteram bala nele. O caldo engrossou e mais de 40 seringueiros foram presos pela Polícia Militar enquanto Lula e outras lideranças como Chico Mendes e o delegado regional da Contag, João Maia, foram enquadrados na Lei de Segurança Nacional do regime militar.



No dia 22 de dezembro de 1988, Chico Mendes foi morto em condições semelhantes pelo peão Darcy Alves a mando do pai fazendeiro Darli. Desta vez, Lula, na condição de deputado federal (PT) fez longo e polêmico discurso dentro da Igreja de Xapuri, ao lado do caixão do líder seringueiro durante o velório.



Como diretor da precária TV Aldeia (TV Educativa) na época, encaminhei a gravação em fita Umatic. Nas eleições de 1990 para o Governo do Estado, o candidato Edmundo Pinto, do PDS (partido antecessor do DEM, hoje parceiro do candidato José Serra), ganhou do estreante Jorge Viana (PT) no segundo turno. Preocupado com o destino que seria dado à fita na nova administração, favorável aos fazendeiros, tomei o cuidado de fazer cópia e levar comigo para o Amapá, onde vivi 13 anos, como assessor do governador Joào Alberto Capiberibe (1995-2002) e editor do jornal Folha do Amapá.



De volta ao Acre, em 2003, consegui fazer uma cópia digital dessa e de outras 33 fitas que passei para o acervo da Biblioteca da Floresta em 2008.



Agora, 22 anos depois, estou tornando público o conteúdo dessa fala histórica que marca a relação também histórica do atual Presidente com o Acre, desde aqueles tempos tristes.





Discurso no velório (1988)





O Chico termina numa entrevista que ele deu ao jornal do Brasil dizendo o seguinte: “Eu quero ficar vivo para ajudar a salvar a Amazônia, eu não quero morrer, porque esse negócio de ato público depois da morte, esse negócio de grandes enterros acaba no dia seguinte”. Esse era o pensamento do velho Chico, há tempo, pois ele participou junto comigo do ato de solidariedade ao companheiro Wilson Pinheiro, morto em Brasiléia dento do sindicato em 21 de julho de 1980, e falou isso (...).



Chico conseguiu juntar a bandeira do direito ao trabalho, do direito à vida dos trabalhadores desse Estado e dessa região com uma luta pela defesa do meio ambiente. Por quê? Porque preservar o meio ambiente para os trabalhadores que moram na região amazônica, preservar as árvores, preservar as castanheiras, preservar as seringueiras é, na verdade, preservar o direito do feijão e do arroz de cada criança dessa região. Porque o gado traz riqueza pro dono do gado, mas não traz sequer carne para os companheiros que trabalham aqui. E o que o companheiro Chico queria? Ele queria pura e simplesmente que deixassem a mata, que era instrumento de sobrevivência de milhares e milhares de trabalhadores, em paz; que fossem plantar gado noutro lugar, criar gado noutro lugar, mas deixassem aqui a mata, as seringueiras, as castanheiras, pros trabalhadores sobreviverem.



Na TV Globo o doutor Romeu Thuma, a quem o Chico enviou várias cartas, dizia o quê? Que a culpa do que está acontecendo aqui é da Polícia Militar... Mas nós precisamos dizer que a culpa não é apenas da polícia militar, a culpa é de todos eles juntos: é da polícia federal, é da polícia militar, da justiça brasileira, da Presidência da República (José Sarney- PMDB), porque, quando eles inventam que vêm aqui desarmar o povo, quem que eles desarmam? Eles pegam a espingardinha de caçar preá do trabalhador e deixam os fazendeiros com metralhadoras, calibre 12.



O companheiro Chico não ganhou as eleições (Chico foi candidato a deputado estadual em 1982 e a prefeito de Xapuri em 1985) e alguns imaginavam que a partir daí fosse desanimar. Qual não foi a surpresa dele: ao invés de desanimar, a luta do companheiro Chico ganhou outra dimensão; ele começou a ser reconhecido por organismos internacionais, pelo Banco Mundial, pelo BID, pelo movimento ecológico do mundo inteiro; começou a ser reconhecido, a ganhar prêmio, a viajar e a contar no mundo o que acontecia aqui; e começou inclusive a dar palpite, opinião sobre empréstimos que empresas estrangeiras ou bancos estatais iam fazer aqui, e por isso aumentou o ódio dos grandes proprietários contra o companheiro Chico. Aumentou o ódio a ponto de culminar com a morte dele no dia 22.



O quê que essas pessoas imaginam? Será que essas pessoas são tão burras que imaginam que matando Chico Mendes, mataram a luta do Chico Mendes? Será que eles não percebem (aplausos), será que esses ricos não têm exemplo na história, será que eles não percebem que esse mesmos grupos de ricos mandaram matar Jesus Cristo há dois mil anos atrás? E o povo não esqueceu as idéias de Jesus Cristo. Será que esses mesmos não estão lembrados que foram eles que mandaram matar Tiradentes, esquartejar e colocar sua carne pendurada nos postes, para que o povo nunca mais se lembrasse quem era Tirandentes? 30 anos depois o Brasil conquistou sua independência.



Eu queria dizer pra vocês uma coisa bem simples, pra cada um de vocês guardar na cabeça. Vocês conheciam bem o caboclo Chico, vocês sabiam bem o que Chico queria, vocês sabiam o que Chico dizia, vocês sabiam o que o Chico pensava. Pois bem, o que o companheiro Chico, que deve estar no céu nesse instante, espera de cada um? Ele espera que aumente a coragem e a disposição de luta de cada companheiro. Ele dizia sempre: no dia em que eu morrer meus companheiros vão se dobrar, cada um vai valer por 10 e a luta vai continuar. E é isso que tem que acontecer (aplausos). Porque se agora houver por parte dos trabalhadores e de todos nós, medo e preocupação, o quê que vai acontecer? Eles vão ficar rindo da vida e vão matar mais. O quê que nós deveremos esperar? Em primeiro lugar, nós achamos que o povo brasileiro quer justiça, e que a polícia prenda esses assassinos do companheiro Chico.



Se é verdade que esses dois sujeitos (Darli e Alvarino Alves) tinham 30 mil hectares aqui; se é verdade que eles eram bandidos em Minas e no Paraná e já vieram fugidos; se é verdade que aqui eles ficaram contratando grileiros e já mataram mais de um trabalhador, e se é verdade que essa propriedade deles pode até ser grilada... O quê que deveria acontecer como atitude nobre do governo? O governo deveria desapropriar essa terra e dar para os trabalhadores rurais cultivarem, ao invés de deixá-las ficar nas mãos de bandidos e grileiros; porque, se o governo fizesse isso e cada fazendeiro que manda matar alguém perdesse sua terra, na verdade essas pessoas iriam ter medo de continuar matando trabalhador rural (...).



Nós precisamos dizer em alto e bom som: o governo precisa começar a investigar cada crime colocando policiais sérios pra fazer isso, porque nós sabemos que tem muitos policiais que são capachos de fazendeiros (aplausos) na cidade. É preciso que haja seriedade e vocês sabem, companheiros, pra terminar, que cada um de nós, tanto nós de São Paulo, como companheiros do Acre, de Rondônia, que chegaram aqui agora, sabemos que temos um compromisso sério: é não deixar a coisa agora esfriar, é não deixar, sabe, o que eles querem, que o povo esqueça o companheiro Chico Mendes.



Agora é que nós temos que mostrar pra eles que nós vamos fazer a luta do companheiro Chico Mendes ser conhecida nesse país. Agora que vamos arrumar solidariedade, não apenas pra dar sobrevivência para a companheira do Chico e de seus filhos, mas arrumar solidariedade pra dar ajuda concreta à luta dos trabalhadores que defendem a Amazônia, a luta dos trabalhadores que defendem o seringal, a luta dos trabalhadores que defendem a manutenção das castanheiras e a luta dos trabalhadores que brigam por reforma agrária.



A classe dominante tá ficando com medo, porque ela sabe que a classe trabalhadora tá amadurecendo; ela sabe que a classe trabalhadora tá tomando consciência, ela sabe que aqui hoje tá PV, PT, daqui a pouco chegam companheiros do PMDB, daqui a pouco chegam do PDT, sei lá, o movimento sindical... Ela sabe que tá crescendo a solidariedade e começa a ficar com medo.



Eu acho que é um compromisso dos partidos políticos progressistas, do movimento sindical, da CUT, da CGT, que a gente precisa transformar cada palavra do Chico numa profissão de fé por esse país aí afora. Daqui a pouco eles vão perceber que o que Chico falava aqui e era ouvido apenas pelos companheiros do sindicato dele vai ser discutido lá no agreste de Pernambuco, lá na Bahia, na favela de São Paulo (...).



Nós deveremos eleger o Chico, hoje, o símbolo da descrença desse governo, deveremos eleger o companheiro Chico hoje como o mártir da classe trabalhadora camponesa desse país, porque o que ele fez foi dedicar 44 anos da sua vida à luta pela liberdade dos trabalhadores.



A morte do Chico não foi o fim, ela foi o início da libertação da classe trabalhadora brasileira.









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sexta-feira, 15 de outubro de 2010

JOGO SUJO DO ÓDIO

"As sementes do ódio frutificaram.
E agora explodem em sua plenitude, misturando
a exploração dos preconceitos da classe média com o
da religiosidade das classes mais simples de um candidato que,
por muitos anos, parecia ser a encarnação do Brasil moderno
e hoje representa o oportunismo mais deslavado".


Puro desamor





A psicologia de massa do fascismo

Artigo de Luis Nassif, publicado em seu blog:









Há tempos alerto para a campanha de ódio que o pacto mídia-FHC estava plantando no jogo político brasileiro. O momento é dos mais delicados. O país passa por profundos processos de transformação, com a entrada de milhões de pessoas no mercado de consumo e político. Pela primeira vez na história, abre-se espaço para um mercado de consumo de massa capaz de lançar o país na primeira divisão da economia mundial.



Esses movimentos foram essenciais na construção de outras nações, mas sempre vieram acompanhados de tensões, conflitos, entre os que emergem buscando espaço, e os já estabelecidos impondo resistências.



Em outros países, essas tensões descambaram para guerras, como a da Secessão norte-americana, ou para movimentos totalitários, como o fascismo nos anos 20 na Europa.



Nos últimos anos, parecia que Lula completaria a travessia para o novo modelo reduzindo substancialmente os atritos. O reconhecimento do exterior ajudou a aplainar o pesado preconceito da classe média acuada. A estratégia política de juntar todas as peças – de multinacionais a pequenas empresas, do agronegócio à agricultura familiar, do mercado aos movimentos sociais – permitiu uma síntese admirável do novo país. O terrorismo midiático, levantando fantasmas como o MST, Bolívia, Venezuela, Cuba e outras bobagens, não passava de jogo de cena, no qual nem a própria mídia acreditava.



À falta de um projeto de país, esgotado o modelo no qual se escudou, FHC – seguido por seu discípulo José Serra – passou a apostar tudo na radicalização. Ajudou a referendar a idéia da república sindicalista, a espalhar rumores sobre tendências totalitárias de Lula, mesmo sabendo que tais temores eram infundados.



Em ambientes mais sérios do que nas entrevistas políticas aos jornais, o sociólogo FHC não endossava as afirmações irresponsáveis do político FHC.



Mas as sementes do ódio frutificaram. E agora explodem em sua plenitude, misturando a exploração dos preconceitos da classe média com o da religiosidade das classes mais simples de um candidato que, por muitos anos, parecia ser a encarnação do Brasil moderno e hoje representa o oportunismo mais deslavado da moderna história política brasileira.



O fascismo à brasileira



Se alguém pretende desenvolver alguma tese nova sobre a psicologia de massa do fascismo, no Brasil, aproveite. Nessas eleições, o clima que envolve algumas camadas da sociedade é o laboratório mais completo – e com acompanhamento online - de como é possível inculcar ódio, superstição e intolerância em classes sociais das mais variadas no Brasil urbano – supostamente o lado moderno da sociedade.



Dia desses, um pai relatou um caso de bullying com a filha, quando se declarou a favor de Dilma.



Em São Paulo esse clima está generalizado. Nos contatos com familiares, nesses feriados, recebi relatos de um sentimento difuso de ódio no ar como há muito tempo não se via, provavelmente nem na campanha do impeachment de Collor, talvez apenas em 1964, período em que amigos dedavam amigos e os piores sentimentos vinham à tona, da pequena cidade do interior à grande metrópole.



Agora, esse ódio não está poupando nenhum setor. É figadal, ostensivo, irracional, não se curvando a argumentos ou ponderações.



Minhas filhas menores freqüentam uma escola liberal, que estimula a tolerância em todos os níveis. Os relatos que me trazem é que qualquer opinião que não seja contra Dilma provoca o isolamento da colega. Outro pai de aluna do Vera Cruz me diz que as coleguinhas afirmam no recreio que Dilma é assassina.



Na empresa em que trabalha outra filha, toda a média gerência é furiosamente anti-Dilma. No primeiro turno, ela anunciou seu voto em Marina e foi cercada por colegas indignados. O mesmo ocorre no ambiente de trabalho de outra filha.



No domingo fui visitar uma tia na Vila Maria. O mesmo sentimento dos antidilmistas, virulento, agressivo, intimidador. Um amigo banqueiro ficou surpreso ao entrar no seu banco, na segunda, é captar as reações dos funcionários ao debate da Band.



A construção do ódio



Na base do ódio um trabalho da mídia de massa de martelar diariamente a história das duas caras, a guerrilha, o terrorismo, a ameaça de que sem Lula ela entregaria o país ao demonizado José Dirceu. Depois, o episódio da Erenice abrindo as comportas do que foi plantado.



Os desdobramentos são imprevisíveis e transcendem o processo eleitoral. A irresponsabilidade da mídia de massa e de um candidato de uma ambição sem limites conseguiu introjetar na sociedade brasileira uma intolerância que, em outros tempos, se resolvia com golpes de Estado. Agora, não, mas será um veneno violento que afetará o jogo político posterior, seja quem for o vencedor.



Que país sairá dessas eleições?, até desanima imaginar.



Mas demonstra cabalmente as dificuldades embutidas em qualquer espasmo de modernização brasileira, explica as raízes do subdesenvolvimento, a resistência história a qualquer processo de modernização. Não é a herança portuguesa. É a escassez de homens públicos de fôlego com responsabilidade institucional sobre o país. É a comprovação de porque o país sempre ficou para trás, abortou seus melhores momentos de modernização, apequenou-se nos momentos cruciais, cedendo a um vale-tudo sem projeto, uma guerra sem honra.



Seria interessante que o maior especialista da era da Internet, o espanhol Manuel Castells, em uma próxima vinda ao Brasil, convidado por seu amigo Fernando Henrique Cardoso, possa escapar da programação do Instituto FHC para entender um pouco melhor a irresponsabilidade, o egocentrismo absurdo que levou um ex-presidente a abrir mão da biografia por um último espasmo de poder. Sem se importar com o preço que o país poderia pagar.



QUINTA-FEIRA, 14 DE OUTUBRO DE 2010



PUBLICADO NO http://altamiroborges.blogspot.com/













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quinta-feira, 14 de outubro de 2010

CAPTURA E PRISÃO IMEDIATA DOS CALUNIADORES

De volta para a rua imediatamente




Família ou quadrilha?











por Jorge Furtado em 13 de outubro de 2010



Mônica Serra, que muita gente só foi conhecer um dia desses, andou pelos subúrbios brasileiros fazendo a campanha do marido e dizendo a evangélicos que Dilma “mata criancinhas”. Quem noticiou o fato foi o jornal O Estado de S. Paulo (que abriu voto para José Serra). Índio da Costa, vice na chapa demo-tucana, foi o companheiro de Mônica em sua missão evangelizadora entre os pobres.



Indio da Costa, isto quem conta é o jornal O Dia, comprometeu-se com evangélicos a barrar a lei que proíbe discriminação contra homossexuais, o que nos leva a concluir que, no mínimo, o vice de Serra não vê problemas na discriminação contra homossexuais.



Índio da Costa, que o Brasil também conheceu um dia desses e que ainda pode amanhecer presidente da república (como já aconteceu com vários vices), sugeriu, na tribuna do Congresso, a realização de um plebiscito sobre a pena da morte. O mais que sabemos de Índio é seu envolvimento em licitações não muito bem explicadas com fornecedores de merenda escolar (denuncia que virou CPI comandada por uma vereadora do PSBB carioca) e a notícia amplamente divulgada dele ter sido “o relator” do projeto ficha limpa, o que era mentira: o relator do projeto é o deputado petista José Eduardo Cardozo, da coordenação da campanha de Dilma.



Verônica Serra, a filha de José e Mônica, como informou exemplar reportagem de Leandro Fortes na revista Carta Capital, foi sócia de Verônica Dantas (sócia e irmã do banqueiro condenado por suborno de um policial federal e acusado de vários crimes em diferentes países, Daniel Dantas), numa empresa que violou o sigilo fiscal de milhões de brasileiros. (Para provar que a tal decidir.com entregava a mercadoria que vendia, a Folha publicou, em 2001, o cadastro de cheques sem fundo de alguns deputados).



Apesar de trazer graves denúncias detalhadamente documentadas, a reportagem de capa da Carta Capital foi solenemente ignorada pela antiga imprensa e nunca desmentida por ninguém. Enquanto isso, a mais estapafúrdia ficção, como a do sujeito que achou “200 mil do tamiflu” na sua gaveta, ou a do receptador de conservante de presunto roubado que pleiteava 9 bilhões (é bilhões mesmo, com b) de financiamento no BNDES e não levou porque não pagou suborno, ganham quilômetros de manchetes e horas de acalorados debates.



David Zylbersztajn foi o primeiro diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP), nomeado por FHC em 1998 e reconduzido ao cargo em janeiro de 2000. Em 1999, ele liderou a quebra do monopólio da Petrobras na exploração do petróleo no Brasil. “Sua separação da esposa Ana Beatriz Cardoso, filha do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em maio de 2001, antecipou sua saída da chefia da ANP, embora seu mandato lhe garantisse a permanência no cargo até o final de 2005”. (da Wikipedia)



Em 2002 fundou a empresa DZ Negócios com Energia, especializada em assessorar investidores interessados na indústria brasileira de petróleo. Agora, em 2010, ele defende, como declarou em nota assinada e publicada no blog de Josias de Souza, “a manutenção do sistema de concessões também para as futuras licitações, sejam elas no pré-sal, ou fora dele”, ou seja, o interesse dos seus clientes.



José Serra, perguntado por Dilma Rousseff no debate da Band sobre a questão do sistema de concessões do pré-sal, enrolou, como sempre faz, ensaiou acusações vagas, desfiou clichês decorados, sorriu e mudou de assunto, como lhe mandaram.



Serra também enrolou e não respondeu nada sobre as declarações de sua esposa, nem sobre o sumiço dos 4 milhões de sua campanha, entregues a Paulo Souza, a quem Serra afirmou não conhecer: "Não sei quem é, nunca ouvi falar". Depois de ameaçado pelo próprio ("Não se larga um líder ferido na estrada a troco de nada, não cometam esse erro") e aparecer ao seu lado em várias fotos, Serra lembrou dele rapidinho, a ponto de defendê-lo.



Diz a Folha: “Serra diz que governo levou o tema aborto à campanha”. Ao Terra, Serra diz que quem trouxe o assunto para a campanha foi "o povo": "Não fomos nós que introduzimos o tema e sim o povo". Enquanto isso, sua campanha na televisão - que não é feita nem pelo governo nem pelo povo - abre com imagens de uma grávida alisando a barriga, um feto num exame de ultrassom, uma trilha melosa e uma locução que, em voz grave, começa afirmando: “Ter um filho não é uma escolha”.



A apelação segue por imagens de bebezinhos recém-nascidos e termina dizendo que é preciso “escolher o bem, escolher a vida” e conclui: “E para escolher o melhor para o Brasil, é Serra presidente”. Já vi muitas baixarias nas campanhas eleitorais brasileiras mas, pelo menos desde que Collor acusou Lula de desejar um aborto, não vi nada tão rasteiro. Collor tinha, ao menos, a coragem de não terceirizar sua canalhice.



José Serra, hoje um assumido representante da mais tacanha e grotesca extrema-direita religiosa, incluindo a TFP e nazipastores de várias religiões, posa de crente enquanto sua turma faz contas de quanto poderia ganhar com o petróleo, que por enquanto é nosso. O pré-sal bem vale uma missa.



X



Programa de José Serra, onde ficamos sabendo tudo sobre ter um filho (“não é uma escolha”) e nada sobre o pré-sal:



Mais sobre “matar criancinhas”:

http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,mulher-de-serra-faz-campanha...



Mais sobre a quebra de sigilo de milhões de brasileiros:

http://www.cartacapital.com.br/politica/sinais-trocados



Mais sobre manifestações homofóbicas:

http://odia.terra.com.br/portal/brasil/eleicoes2010/html/2010/10/vice_di...



Mais sobre a CPI da merenda escolar:



A vereadora carioca Andrea Gouvêa Vieira (PSDB) fala ao jornal O Globo sobre a participação de Indio da Costa (DEM) nas fraudes da merenda escolar no Rio:



ANDREA GOUVÊA VIEIRA: Houve um direcionamento claro. Na licitação para a compra de gêneros alimentícios para a merenda, a cidade foi dividida em nove áreas (2005). Ganhava cada área aquele que oferecesse mais desconto nos 49 produtos básicos. A Comercial Milano ficou com quase tudo. Acertou todas as suas apostas. Como ela poderia saber que descontos os outros concorrentes ofereceram?



A CPI desconfiou de algum tipo de informação privilegiada?



ANDREA: A empresa sabia até as áreas onde ninguém apresentou propostas. Isso só foi possível porque ela teve acesso prévio às ofertas dos concorrentes.



Existiu envolvimento de Indio da Costa, então secretário municipal de Administração?



ANDREA: Foi uma ação entre amigos.

http://oglobo.globo.com/pais/mat/2010/06/30/a-vereadora-tucana-andrea-gouvea-vieira-inconformada-com-indicacao-de-indio-da-costa-para-vice-pedira-licenca-viajara-917032555.asp



Mais sobre a pena de morte:

http://www.camara.gov.br/



O SR. INDIO DA COSTA - Deputado Paulo Maluf, a sua idéia é muito boa, e agrego mais um ponto a ela (...): um plebiscito para saber se a sociedade é favorável à pena de morte para narcotraficantes.



(Câmara dos Deputados, pronunciamento do dep. Indio da Costa em 05/12/2007, notas taquigráficas.)



http://www.camara.gov.br/internet/sitaqweb/TextoHTML.asp?etapa=5&nuSessa...



Mais sobre a turma da tradição, família e propriedade:

http://www.ipco.org.br/home/



Mais sobre os interesses privados no petróleo do pré-sal:

http://pt.wikipedia.org/wiki/David_Zylbersztajn



Mais sobre a memória de José Serra:



Segunda, dia 11, Serra nunca ouviu falar de Paulo Souza:

http://noticias.terra.com.br/eleicoes/2010/noticias/0,,OI4729669-EI15315...



Terça, dia 12, Paulo Souza ameaça: "Ele me conhece bem. Não abandonem um líder ferido, não cometam esse erro":

http://noticias.terra.com.br/eleicoes/2010/noticias/0,,OI4730717-EI15311...



Quarta, dia 13, Serra declara: "As acusações são falsas".

http://noticias.terra.com.br/eleicoes/2010/noticias/0,,OI4730769-EI15315...





Blog de Jorge Furtado

JOGO SUJO DE SERRA

Desmontando a Central de Boatos de Serra



Dilma é alvo de grupos

de extrema-direita

e neonazistas


O jornalista Tony Chastinet fez um levantamento minucioso sobre a origem de um dos e-mails caluniosos que circulam contra a candidata Dilma Rousseff (PT). Não precisou de dinheiro, nem de ferramentas especiais. Usou basicamente o “Google”. Gastou alguns minutos e usou a experiência de quem já investigou dezenas e dezenas de picaretas em suas reportagens investigativas. Tony Chastinet descobriu que o email partiu de gente ligada à extrema-direita e a grupos neonazistas. Gente com nome, sobrenome e endereço. O jornalista apresenta as provas.

Rodrigo Vianna/Tony Chastinet

Publicado originalmente no blog Escrevinhador, de Rodrigo Vianna



Não é difícil rastrear os caminhos da boataria que atingiu Dilma Rousseff, poucas semanas antes do primeiro turno. A campanha do PT parece não ter levado a sério a ameaça. E a boataria e as calúnias prosseguem.



O jornalista Tony Chastinet – colega com quem tive o prazer de dividir o prêmio Vladimir Herzog em 2007, e com quem produzi a série de reportagens sobre as centrais clandestinas de tortura durante a ditadura – fez um levantamento minucioso sobre a origem de um desses e-mails caluniosos. Não precisou de dinheiro, nem de ferramentas especiais. Usou basicamente o “Google”. Gastou alguns minutos e usou a experiência de quem já investigou dezenas e dezenas de picaretas em suas reportagens investigativas.



Tony Chastinet descobriu que o email partiu de gente ligada à extrema-direita. Gente com nome, sobrenome e endereço. Confiram…



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O CAMINHO DA CALÚNIA



por Tony Chastinet



Recebi ontem à noite um daqueles e-mails nojentos e anônimos, que estão circulando na internet, com calúnias contra a candidata Dilma Roussef. Decidi gastar alguns minutos para tentar identificar os autores. Consegui, e repasso abaixo as informações sobre os autores da baixaria – incluindo as fontes da pesquisa.



Há um e-mail circulando na internet com o seguinte título: “Candidatos de esquerda”. Na mensagem há uma série de calúnias contra Dilma, e o pedido para se votar no Serra. Também recomenda a leitura do site www.tribunanacional.com.br.



Entrei na página e de cara me deparei com aquela foto montada da Dilma ao lado de um fuzil. Uma verdadeira central de calúnias ligada à extrema direita. Vejam uma amostra neste link http://www.tribunanacional.com.br/v2/editorial/a-terrorista/.



O e-mail foi enviado para minha caixa postal na noite de domingo. O remetente é um tal de Ingo Schimidt (ingo@tribunanacional.com.br). O site está registrado na Fapesp em nome do “Círculo Memorial Octaviano Pinto Soares”.



Essa associação tem CNPJ (026.990.366/0001-49), está localizada na SCRN, 706-707, Bloco B, Sala 125, na Asa Norte, em Brasília. O responsável pelo site chama-se Nei Mohn. Em uma pesquisa superficial na internet, descobre-se que ele foi presidente da “Juventude Nazista” em 1968. Era informante do Cenimar e suspeito de atos de terrorismo na década de 80 (bombas em bancas de jornais e outros atentados feitos pela tigrada da comunidade de informações). Também foi investigado por falsificar o jornal da Igreja Católica, atacando religiosos que denunciavam torturas, assassinatos e desaparecimentos (vejam abaixo nas fontes).



Nunca foi investigado e sequer punido pelas barbaridades que aprontou. Para isso, contou com a proteção dos militares e da comunidade de informações para abafar os escândalos e investigações.



Prossegui na pesquisa e descobri que o filho de Nei, o advogado Bruno Degrazia Möhn trabalha para um grande escritório de advocacia de Brasília contratado por Daniel Dantas para representar o deputado federal Alberto Fraga (DEM) em ação no TCU movida pelo deputado para tentar impedir a compra de ações da BRT/OI pelos fundos de pensão.



Interessante essa ligação entre a extrema direita, nazistas e Daniel Dantas. Mas tem mais.



No registro do site ainda há outros dois nomes apontados como responsáveis pela página: Antonio Afonso Xavier de Serpa Pinto e Zoltan Nassif Korontai.



Serpa Pinto trabalha na Secretaria da Fazenda de Mato Grosso. Korontai é responsável pelo site http://www.projetovendabrasil.com.br. É um negócio estranho como pode ser visto na página da internet. Ele atua na área de tecnologia e fez concurso para analista de sistemas no TRE do Paraná.



O cadastro do site dele está em nome da CliqueHost Internet Hosting e Eletro Eletrônicos (CNPJ 008.144.575/0001-90 – Avenida Doutor Chucri Zaidan, 246, SL 18, São Paulo). O responsável chama-se Frederich Resende Soares Marinho.



Marinho é consultor de informática e trabalha em Piraúba (MG). Há uma série de reclamações de que ele vendeu hospedagens de site e não entregou o serviço. Ele é membro da Assembleia de Deus em Sorocaba.



Outro dado interessante: Ingo coloca um link no e-mail para quem não quiser mais receber as mensagens. Esse link aponta para o seguinte endereço: ingo.newssender.com.br. Newssender é um serviço de marketing eletrônico (leia-se spam) registrado e vendido pela Locaweb Serviços de Internet S/A. O curioso é que é o mesmo provedor que hospeda o site do candidato tucano.



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Fontes:



– Tribuna Nacional – Dados do Registro.br



domínio: tribunanacional.com.br



entidade: Círculo Memorial Octaviano Pinto Soares



documento: 026.990.366/0001-49



responsável: Nei Möhn



2 – Nei Mohn



Matéria Veja de 1980 – http://www.arqanalagoa.ufscar.br/pdf/recortes/R06814.pdf



Matéria da Isto É de 1982 – http://www.arqanalagoa.ufscar.br/pdf/recortes/R03648.pdf



3 – Filho de Nei



Bruno Degrazia Möhn (OAB/DF 18.161)



Trabalha no escritório Menezes e Vieira Advogados Associados – http://www.migalhas.com.br/mostra_noticia_articuladas.aspx?cod=11457 – artigo defesa ppp



Escritório contratado por Dantas no caso BRT – http://www.anapar.com.br/noticias.php?id=6602



4 – Antonio Afonso Xavier de Serpa Pinto



Funcionário da secretaria estadual da fazenda de mato grosso



http://app1.sefaz.mt.gov.br/Sistema/Legislacao/legislacaopessoa.nsf/2b2e6c5ed54869788425671300480214/88e35b271696c3bf0425738500423ded?OpenDocument



5 – Zoltan Nassif Korontai



Site dele – http://www.projetovendabrasil.com.br/?pg=calculadora-de-ivestimento&p=253



Dados do registro.br



domínio: projetovendabrasil.com.br



entidade: CliqueHost Internet Hosting e Eletro Eletrônicos L
 
 
 
                                                                        
 
 
                                                                             

terça-feira, 12 de outubro de 2010

UM COMPROMISSO


Com o nosso povo





A imagem chocante de uma índia com um bebê no colo 
enfrentando a tropa de choque da polícia do Amazonas 
é uma das fotos vencedoras do concurso World Press Photo,
considerado o maior prêmio de fotojornalismo do mundo
Foto de  Luiz Vasconcelos 




 Para Elson Martins, no Acre, e Capi, no Amapá



Uma lembrança


para Marina Silva



Reproduzo mensagem enviada por Paulo Maldos, ex-assessor do Conselho Indigenista Missionário (CIMI):



Acho que é o caso de lembrar a Marina de onde ela estava em abril do ano 2.000.



No dia 22 de abril de 2.000 ela estava na estrada que liga Santa Cruz de Cabrália a Porto Seguro, junto com 3.600 indígenas, de mais de 180 povos, militantes do movimento negro, quilombolas, militantes do MST, estudantes, mulheres, militantes de inúmeros movimentos populares e sindicais, talvez mais de 10 mil ao todo, de todo o Brasil.



Ela tinha falado no Quilombo, que era o acampamento coletivo, no dia anterior, para alguns destes milhares de militantes.



No dia 22 de abril, logo pela manhã, foi desatada a repressão sobre todos e todas.



O Fernando Henrique estava na Cidade Alta de Porto Seguro, comemorando com o Presidente de Portugal.



Na estrada, a policia do Antonio Carlos Magalhães e as tropas do FHC jogavam bombas de gás, arrastavam negros pelos cabelos, espancavam indígenas e prendiam estudantes. Havia helicópteros e lanchas da Marinha no cerco.



Um indígena se jogou no chão da estrada, em frente dos soldados, que passaram por cima dele.



Encontrei a Marina com sua assessora Áurea, perdidas na estrada, escutando bombas e tiros próximos.



Coloquei as duas no meu carro, para escapar dali protegendo-as. Dentro do carro, a Marina falou calmamente que, se respirasse aquele gás, poderia morrer. Virei o carro para pegar um caminho de terra e ir em direção da praia. Ela pediu que não fosse, porque tinha visto soldados irem para a praia perseguindo estudantes.



Voltei com o carro prá estrada e levei a Marina até local seguro, longe da repressão e das bombas. Emocionado porque, segundo a nossa Senadora, eu talvez tivesse acabado de salvar sua vida.



Acho bom ela lembrar deste episódio neste momento, para pensar de que lado ela sempre esteve, e de que lado deve estar agora.

Um abraço fraterno



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Serra atropelado:


"Anotou a placa?"


Reproduzo artigo de Sônia Correa, publicado no blog Coisas da Soninha:



O debate da Band foi de lavar a alma de qualquer militante de esquerda. Dilma foi um verdadeiro caminhão que passou por cima de Serra. E eles nem conseguiram anotar a placa.



Ontem, bem antes do debate, quando postei o texto abaixo, disse que queria ver Dilma colocar o SimSERRAmente ou o SerraMilCaras no seu devido lugar.



Também ressaltei que queria ver aquela Dilma que é firme, forte, competente, decidida, incisiva na defesa de suas posições. E vi.



Claro que era previsível que o PIG fosse manchetear (como está fazendo hoje) que Dilma teria sido “agressiva”. Notem que nesse item chama a atenção um outro preconceito: o machismo. Se um homem é enfático, ele defendeu com firmeza suas posições. Se isso acontece com uma mulher, então ela é “agressiva” e, muitas vezes “histérica”.



Pois de minha parte e, pelo que acompanhei no Twitter, também de parte da militância de todo o Brasil, a contundência com que Dilma se posicionou no debate foi o melhor que podia ter acontecido. Incendiou a militância, em minha opinião. Deu gás à campanha. Encheu de tesão.



Era necessário mostrar que a campanha dos adversários do povo se baseia na calúnia, na baixaria, na mentira e nas mil caras de José Serra. E eu acho que precisamos elevar ainda mais o tom. Precisamos, por exemplo, desmascarar o programa de Serra onde ele fala sobre educação e valorização dos professores. Mostrem que tipo de valorização defende José Serra, botando a polícia paulista para bater nos professores.



Quanto ao debate do aborto, acho que não temos mais que comer a isca “deles”. Defendemos a vida e ponto. Não aceitamos que milhares de mulheres sejam vítimas de açougueiros mercenários. Assunto encerrado.



Quer falar da Erenice? Pois que Dilma diga mais do estar indignada. Que esclareça que sua posição é exigir apuração e punição de quem quer que seja. Agora, por que não pedirmos também que se apure o motivo pelo qual as empresas brasileiras privatizadas por FHC tenham sido vendidas a troco de banana podre.



O Brasil de Dilma, Lula e do povo brasileiro não é o Brasil do orelhão. É o Brasil da Banda Larga para todos os brasileiros. É o Brasil que tirou milhões de brasileiros da linha da miséria. Que ampliou a classe média, que foi recordista no acesso a diversos bens de consumo, que levou luz para o campo, que está tratando – como nunca antes ocorreu – do imenso déficit habitacional.



Sou mais Dilma e, se é para ser agressivos, sejamos fazendo as comparações entre as incomensuráveis realizações voltadas para o povo brasileiro, iniciadas pelo presidente Lula, e as realizações de FHC/Serra voltadas para os ricos e poderosos. E, é justamente esta diferença que faz com que eles se desesperem como cães famintos pelo osso da presidência do Brasil.



Quanto à nós, seguiremos passando por cima deles no caminhão da esperança, do desenvolvimento e da valorização dessa gente brasileira que constrói nosso gigante verde-amarelo.



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Postado por Miro às 11:49 0 comentários Links para esta postagem

Renato Rabelo:


"Bravo, Dilma!"


Reproduzo artigo de Renato Rabelo, presidente nacional do PCdoB, publicado no sítio Vermelho:



O primeiro debate do 2º turno entre os candidatos a presidente da República na TV Bandeirantes revelou o melhor momento de Dilma Rousseff nesse tipo de disputa. Ela se portou com veemência, convicção e, aliás, com muita serenidade diante das provocações rasteiras, agressivas e insidiosas de que tem sido alvo. Enfrentou com indignação e altivez a campanha sórdida perpetrada contra ela.



José Serra, em muitos momentos do debate, desde o começo, sentiu-se desnudado, sem respostas. A fim de esconder seu desapontamento, diversiona: vocifera que Dilma está “agressiva”. A contundência de Dilma que tirou a máscara de Serra – as suas “mil caras”, como denominou precisamente nossa candidata – é repercutida pela oposição e a mídia serrista como atitude agressiva. É obvio. É o mote que encontraram, aos vexames, para esconder o impecável desempenho de Dilma e o atônito e rebarbativo desempenho de Serra.



A reação de muitas pessoas do meu convívio fora do meio político – diga-se que alguns votaram em Marina no primeiro turno – foram eloquentes: “Agora entendo por que Lula a escolheu. Ela é de fato destemida e preparada”.



Dilma, no transcorrer das duas horas de debate, procurou demonstrar que Serra não apresentou nenhum projeto para o país, esconde o desastre do passado governo tucano de FHC – e ele foi destacado defensor do que diziam os documentos dessa época: “O maior plano de privatizações da história no mundo”.



Dilma reagiu com justeza à situação em que Serra, sem projeto a apresentar, agindo com seu sistema de apoio, apelou para o nível da baixaria, da mentira e deturpação grosseira, explorando valores caros ao povo, para incitá-lo vergonhosamente contra a sua candidatura. É tudo isso que Dilma, numa nova atitude, procurou responder nesse debate de domingo.



Logo no primeiro bloco do debate, em face da pergunta lançada de qual o maior desafio para o futuro governo nacional, Serra revelou o seu limite: reduziu essa questão central para o futuro da nação a algumas medidas mal alinhavadas para educação. Dilma foi direta na questão do desafio central para o Brasil: desenvolvimento robusto com distribuição de renda e crescimento sustentado.



Este é o caminho a ser perseguindo. Porque, sem um desenvolvimento acelerado do país, não iremos alcançar uma educação para todos de qualidade, assim também no caso da saúde e outras exigências sociais fundamentais. É certo que, no projeto nacional de desenvolvimento, a educação ocupa papel nodal. Dilma enfocou o desafio no seu verdadeiro contexto, demonstrando o caminho e um horizonte para o Brasil.



O debate sustentado por Dilma trouxe a lume que o candidato tucano não tem um projeto explícito e apenas apresenta receitas pontuais demagógicas (salário mínimo de R$ 600, sendo que antes os tucanos não conseguiram sequer elevar o salário mínimo a mais de 80 dólares), ou “pré-projetos pilotos”, sem dimensão em relação ao tamanho do problema a ser enfrentado – clínica de 90 leitos para atender população de mais de 400 mil dependentes químicos. Mostrou que ele esconde o desastre do passado governo tucano de FHC, com investimentos reduzidos e contidos pela tutela ao FMI tornando a infra-estrutura sucateada, hoje sem nenhuma autoridade para criticar as inúmeras obras dos ambiciosos PAC 1 e PAC 2 iniciadas pelo governo Lula.



Também Dilma denunciou que ela, quando assumiu a presidência do Conselho da Petrobras, no primeiro governo Lula, encontrou planos de “esquartejamento” desta empresa estatal, dividindo-a em fatias, preparando sua privatização por partes. Dilma também acentuou a posição defendida pelo esquema de Serra, e sem uma orientação nítida da parte dele, em mudar o projeto apresentado pelo governo sobre o pré-sal, dando-lhe uma natureza privatista, entregando aos grandes monopólios internacionais a exploração de tamanha riqueza, componente essencial para o alcance de uma nação moderna e próspera.



Dilma teve o protagonismo durante o transcorrer de todos os blocos, demonstrando profundo conhecimento do governo nacional e do Brasil.



Bravo, Dilma!



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Aos que me cobram


uma posição…


Reproduzo artigo da jornalista Hildegard Angel, publicado em seu blog:



Aos que me cobram por nada ter falado neste blog a respeito da eleição, desde o último domingo das urnas, eis o que tenho a dizer. Por enquanto...



Para superar Dilma Rousseff, como pretendem os tucanos, José Serra tem um caminho longo e difícil a percorrer, passando dos 33% que mereceu no primeiro turno para 51% nas urnas do segundo. Para isso, o que já se percebe é que sua campanha deverá jogar ainda mais pesado junto à ala conservadora que deu a Marina os 6% a mais que ela não tinha. E o jogo pesado já começou, trazendo de volta à pauta o mesmo “discurso do aborto” que tirou uma eleição de Lula no último minuto do segundo tempo, com aquela acusação de Miriam Cordeiro, hoje sabidamente falsa, mas que na época serviu aos propósitos dos opositores...



No recente primeiro turno, vimos coisas de arrepiar, como jornalistas, ditos liberais, da grande imprensa irem ao Clube Militar no Rio defender a 'democracia' unidos aos milicos de pijama, os mesmos daquele tempo negro do país; vimos Cesar Maia, em seu blog, defender como 'tática' de ataque apontar o risco de 'chavenização' do Brasil com Dilma; vimos uma saraivada de e-mails ofensivos, com mentiras e covardias, construindo uma falsa imagem da candidata Dilma, identificando-a com a truculência, quando ser truculento é participar sem nenhum escrúpulo de uma tal campanha difamatória, habilmente pensada, construída e orientada. Um verdadeiro vale-tudo...



Nessa estratégia de matar ou morrer, vemos agora, com ainda mais escândalo, um manifesto com diretrizes do Comando de Caça aos Comunistas ser distribuído em reunião do PSDB; vemos o aborto na ordem do dia; vemos o Estadão demitir articulista porque emitiu opinião diferente da voz de comando da redação 100% pró-Serra – e justamente o jornal que levantou sua voz contra uma suposta 'censura' (!!)...



É a campanha do mata-mata, do salve-se quem puder, numa violência de dar inveja até aos mais raivosos momentos do lacerdismo. Ética, bons costumes, palavra, honradez, tudo isso posto de lado por um tempo, justamente por aqueles que se arvoram de donos da moral...



Resta saber se o eleitor concorda que tudo seja mesmo válido até se alcancar o objetivo do poder; até se conseguir destronar a possibilidade de continuidade de um governo que dá certo, que é sucesso em todas as áreas, que tira o miserável da miséria, o pobre da pobreza, que faz o rico produzir, que gera empregos, que enriquece o país, que nos levou ao tão anunciado, desde sempre, fim do túnel onde enfim encontramos a tal luz tão falada...



Um governo que nos retirou da escuridão da ausência de perspectivas, que faz jovens que haviam partido em busca de oportunidades retornarem ao Brasil, que atrai os investidores estrangeiros...



Temos, com tristeza e vergonha, presenciado uma maratona de maldades e artimanhas patrocinadas por parte da grande mídia em conluio, uma lavagem cerebral nos eleitores querendo convencê-los de que o amarelo é verde, distorcendo a realidade...



Mas não é apenas essa campanha vexatória que ameaça Dilma. O entorno da candidata também tem deixado bastante a desejar. Quando, na última semana da campanha, foi detectado o estrago da 'bala de prata' do aborto, eles deveriam ter mudado seu programa de TV. E não mudaram. Ficaram engessados dentro de uma agenda previamente estabelecida, sem qualquer agilidade...



A campanha apócrifa do medo contra Dilma, através de e-mails e boatos, prosperou sem contra-ataques, sem desmentidos incisivos, sem praticamente qualquer reação dos petistas. Outro erro fatal que impediu a vitória no primeiro turno...



Fizeram falta, também, nos programas da campanha na TV, os depoimentos de personalidades que formam opinião, conhecem Dilma e podem falar sobre ela com propriedade. E esses depoimentos existem, como aquele magnífico dado por Maria da Conceição Tavares, que permanece restrito aos blogs da internet. A cantora Alcione também gravou um depoimento muito bom, que o grande público da TV não viu...



E a última falha foi da própria Dilma, que não ganhou o debate da Globo, empatou, quando poderia ter saído vencedora se, em vez de se retrair, tivesse abordado diretamente, por sua iniciativa, o caso Erenice, a questão do aborto e a própria campanha de medo que a apresentava e ainda a apresenta como uma 'Chavez de saias', o que ela definitivamente não é...



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Postado por Miro às 11:25 0 comentários Links para esta postagem

Guerra suja


na campanha eleitoral


Reproduzo artigo do professor Venício A. de Lima, publicado no Observatório da Imprensa:



As campanhas eleitorais têm servido para revelar, de forma inequívoca, qual a ética empresarial e jornalística que predomina na grande mídia brasileira.



Os episódios recentes relacionados à demissão de conceituada articulista do Estado de S.Paulo, assim como a ação da Folha de S.Paulo, que obteve na Justiça liminar para retirada do ar do blog de humor crítico Falha de S.Paulo, são apenas mais duas evidências recentes de que esses jornalões adotam, empresarialmente e dentro de suas redações, práticas muito diferentes daquelas que alardeiam em público.



Como se sabe, o Estadão é o jornal que afirma diariamente estar sofrendo "censura" judicial, há vários meses.



Tratei do tema neste Observatório quando da demissão do jornalista Felipe Milanez, editor da revista National Geographic Brasil, publicada pela Editora Abril, por ter criticado, via Twitter, a revista Veja.



Corre solta também, na internet, uma guerra - e, como toda guerra, sem qualquer ética - de manipulação da informação, agora tendo como aliados partidos de oposição e os setores mais retrógrados das igrejas católica e evangélica, incluindo velhas e conhecidas organizações como o Opus Dei e a TFP.



Ademais, uma série de panfletos anônimos sobre candidatos e partidos, de conteúdo mentiroso e manipulador, tem aparecido e circulado em diferentes pontos do país, aparentemente de forma articulada.



Estamos chegando ao "primeiro mundo". Repetem-se aqui as estratégias políticas obscuras que já vem sendo utilizadas pelos radicais conservadores ligados - direta ou indiretamente - à extrema direita do Partido Republicano - o "Tea Party" - e também pela chamada "Christian Right", nos Estados Unidos.



A bandeira da liberdade de expressão equacionada, sem mais, com a liberdade de imprensa, não passa de hipocrisia.



Começou com o PNDH3



A atual onda, que acabou por deslocar o eixo da agenda pública da campanha eleitoral e da propaganda política no rádio e na televisão para uma questão de foro íntimo e religioso, teve seu início na violenta reação ao Programa Nacional de Direitos Humanos 3 (PNDH-3), capitaneada pela grande mídia. Na época, escrevi:



"O curto período de menos de cinco meses compreendido entre 21 de dezembro de 2009 e 12 de maio de 2010 foi suficiente para que as forças políticas que, de fato, há décadas, exercem influência determinante sobre as decisões do Estado no Brasil, conseguissem que o governo recuasse em todos os pontos de seu interesse contidos na terceira versão do Programa Nacional de Direitos Humanos (Decreto n. 7.037/2009). Refiro-me, por óbvio aos militares, aos ruralistas, à Igreja Católica e, sobretudo, à grande mídia."



São essas forças políticas - com seus paradoxos e contradições - que agora se unem novamente para tentar influir no resultado das eleições presidenciais de 2010, valendo-se da "ética" de que "os fins justificam os meios".



Lições



A essa altura, já podem ser observadas algumas lições sobre a mídia e suas responsabilidades no processo político de uma democracia representativa liberal como a nossa:



1. Não é apenas a grande mídia que tem o poder de pautar a agenda do debate público. A experiência atual demonstra que, em períodos eleitorais, essa agenda pode ser pautada "de fora" quando há convergência de interesses entre forças políticas dominantes. Elas se utilizam de seus próprios recursos de comunicação (incluindo redes de rádio e televisão), redes sociais (p. ex. Twitter) e correntes de e-mail na internet. A grande mídia, por óbvio, adere e abraça a nova agenda por ser de seu interesse.



2. Fica cada vez mais clara a necessidade do cumprimento do "princípio da complementaridade" entre os sistemas de radiodifusão (artigo 223 da Constituição). Seria extremamente salutar para a democracia brasileira que o sistema público de mídia se consolidasse e funcionasse, de fato, como uma alternativa complementar ao sistema privado.



3. Independente de qual dos candidatos vença o segundo turno das eleições presidenciais, a regulação do setor de comunicações será inescapável. Não dá mais para fingir que o Brasil é a única democracia do planeta onde os grupos de mídia devem prosseguir sem a existência de um marco regulatório.



4. O artigo 19 da Constituição reza:



É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:



I- Estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencioná-los, embaraçar-lhes o funcionamento ou manter com eles ou seus representantes relações de dependência ou aliança, ressalvada, na formada lei, a colaboração de interesse público.



Apesar de ser, portanto, claro o caráter laico do Estado brasileiro, na vida real estamos longe, muito longe, disso.



5. Estamos também ainda longe, muito longe, do ideal teórico da democracia representativa liberal onde a mídia plural deveria ser a mediadora equilibrada do debate público, representando a diversidade de opiniões existentes no "mercado livre de idéias". Doce ilusão

TERÇA-FEIRA, 12 DE OUTUBRO DE 2010





Fontes



http://altamiroborges.blogspot.com/





http://www.viomundo.com.br/