segunda-feira, 23 de maio de 2011

UMA OBRA DE ARTE

Fascínio

 


“A filosofia é uma luta contra o fascínio
que certas formas de expressão
 exercem sobre nós”
Livro Azul  p27  Wittgenstein




A minha filosofia

é a minha


luta


para sobreviver


tendo você ao meu lado!






Você é a forma de expressão


que me fascina


me enlouquece


e que me devora.







terça-feira, 10 de maio de 2011

O TEXTO


E seus momentos








A leitura possui vários momentos. 

Em um dado momento, um determinado texto possui uma determinada carga de impacto. 

Aquela leitura. A primeira leitura, um ambiente e/ou uma situação se terá, em relação ao texto, impactado ou deflagrado por ele, uma resposta determinada. 

Esta situação jamais se repetirá, embora ela possa ser duradoura.

Num experimento, ao provocar, deliberadamente, a perda do escrito, as referências ao texto (em seu momento original de primeira leitura em um ambiente determinado) tornar-se-ão vagas e levarão a uma busca de memória do que foi escrito e do que foi lido, em busca de sua carga emocional e de seu valor estético.

A distância ao aumentar, em termos gerais, de tempo e de situações, em que aquelas emoções presentes (na ocasião primeira) perdem-se, a recuperação desta memória do que foi lido gera

1º. A tentativa de recuperação para produzir a comparação.

2º. A tentativa de recuperação da memória da primeira leitura, do ambiente e/ou da situação.

3º. Como na constatação primária de que “o livro era melhor do que o filme” aqui também se constatará de que aquela primeira leitura do texto era melhor do que a segunda, embora os dois sejam o mesmo e nada se tenha acrescentado o diminuído no mesmo.

Neste texto de Oswaldo França Júnior isto nunca acontecerá.

Cada leitura será sempre uma leitura única. 

Uma pequena grande obra-prima.

A minha pergunta é: por que?




Eu não o conheci
de Oswaldo França Júnior


Meu filho foi embora e eu não o conheci.

Acostumei-me com ele em casa e me esqueci de conhecê-lo.

Agora que sua ausência me pesa, é que vejo como era necessário tê-lo conhecido.

Lembro-me dele. Lembro-me bem em poucas ocasiões.

Um dia, na sala, ele me puxou a barra do paletó e me fez examinar seu pequeno dedo machucado. Foi um exame rápido.

Uma outra vez me pediu que lhe consertasse um brinquedo velho. Eu estava com pressa e não consertei. Mas lhe comprei um brinquedo novo.

Na noite seguinte, quando entrei em casa, ele estava deitado no tapete, dormindo e abraçado ao brinquedo velho.

O novo estava a um canto.

Eu tinha um filho e agora não o tenho mais porque ele foi embora. E este meu filho, uma noite, me chamou e disse:

Fica comigo. Só um pouquinho, pai.

Eu não podia; mas a babá ficou com ele.

Sou um homem muito ocupado.

Mas meu filho foi embora. Foi embora e eu não o conheci.





Fim.






quarta-feira, 4 de maio de 2011

O MISTÉRIO





É Wilde


O grande mistério do mundo
não é o invisível, mas o visível.
Oscar Wilde



Explicado, o mistério deixa de ser mistério. Para ser mistério deve permanecer inexplicado, desafiador, incompreensível aos recursos disponíveis da ciência e da razão humanas.



O invisível, o que não se vê, não se vê mesmo. Assim, ao invisível devemos deixar o espaço da mente reservado à imaginação. Mesmo na imaginação haveria um limite, não se imaginaria o inimaginável, o não pensável, forma e conteúdo, raciocínios e possibilidades de pensar além da mente (*).



O mistério do visível está em sua explicação. Não se explica, não há razões que explicam, além da biologia e da química, a razão do visível. Por que existimos? Para que existimos? Para onde estamos indo? Mesmo com a perspectiva de um “fim do mundo”, angustiosamente profetizado, fisicamente previsto, não há nenhuma resposta, para nenhuma destas questões.



Mistério assustador, que desperta todos os dias com todos os homens, conscientes ou não; um desafio para as mentes indagadoras e um exercício de crescimento para as mentes empíricas, predispostas a especular sobre as respostas possíveis. 


O invisível é misterioso? É fabuloso, nele tudo pode, tudo que a imaginação for capaz de imaginar, de criar e de especular. O invisível, o não visto, o não captado por um órgão dos sentidos - existiriam outros?. O que não é possível de ser enxergado poderia ser sentido e captado por outro sentido? Quantos olhos os homens poderia ter?



O visível é misterioso, é desafiador, é inexplicável e é explicável, é observável e é passível de ser compreendido, como é dinâmico e sempre surpreende. Um dia, o homem acreditou que com asas, como os pássaros voariam. Há algum tempo voa, melhor do que os pássaros.




E ainda aprende com os pássaros, a voar melhor.






(*) Daí a "Questão deus", o risco de dizer o nome de deus, de nominá-lo, uma proibição registrada pelos primeiros religiosos diante do indizível, se deus deixa de ser mistério, se passa a ser imaginado e explicado, limita-se à imaginação do homem e às suas possibilidades de explicar, sofre, então, em seguida, a natural destruição arrasadora e devastadora da racionalidade, exatamente porque deixa de ser mistério. Deus para ser deus, não pode ser nominado, imaginado e nem explicado.



Oscar Wilde é uma das sínteses deste mistério que é a introdução do pensar na matéria. Quando surgiu o pensamento e a possibilidade e a liberdade de pensar

terça-feira, 3 de maio de 2011

É TUDO O QUE TENHO






O silêncio






Busco o silêncio



para ouvir



sua voz límpida



pura,



só a sua voz



e todo o meu silêncio






Encontro a voz


Encontro a palavra,


Vejo os seus lábios.




Nítida,


é a sua voz



Apenas sussurro



E só há silêncio




Nada mais





Resta muito pouco







Ainda assim, você está




vendo uma pessoa feliz