Quando o trabalho
da noite acaba
Rufino Fialho Filho
As moças passam na praça cheia de gente,
São três moças, vestem iguais
o mesmo terninho
São tão parecidas.
Uma fala que os homens são todos iguais.
Outra fica para trás e depois é chamada,
quando ele se afasta, ela aparece.
Gorda, pequena, já com os seus 60 anos,
conversam e caminham juntos.
Ela coloca algumas coisas no bolso do paletó.
Ele alerta.
Diz que ali aquelas coisas não poderiam ficar.,
É perigoso e alguém poderia roubá-las,
é um cartão de crédito, um papel
e um pedaço de plástico que não identifica.
Coloca no bolsinho de frente do terno.
É mais seguro,
Caminham na direção dos hotéis e pensões da zona.
Poderiam ir para o apartamento dele ou para o dela,
Ela fala baixinho e repete, várias vezes:
- Vamos mamar!
- Vamos mamar?
Seguem em direção ao hotel.
Ele lembrou de outra mulher.
Transavam, ali mesmo, na zona.
Esperava ela acabar de foder,
ganhar a vida, para que eles saíssem
e comessem alguma coisa.
Papeavam no restaurante,
ela bebia cerveja,
depois iam para um motel, amar,
raramente transavam no quarto da zona
local de trabalho.